O mundo digital está mudando mais rápido do que nossa infraestrutura consegue acompanhar. Novas aplicações exigem maior largura de banda, menor latência, processamento local e cobertura total. No entanto, continuamos investindo em modelos de outra época. O resultado: um fosso digital crescente, dependência de tecnologia estrangeira e oportunidades de inovação perdidas. Isso pode — e deve — mudar.
O status quo não funciona mais
Os formuladores de políticas continuam pensando em silos:
- A fibra óptica conecta edifícios, não dispositivos.
- As redes móveis têm frequências e cobertura limitadas.
- As soluções via satélite enfrentam problemas de latência e capacidade.
- A tecnologia fixa sem fio não atende às exigências modernas.
Nenhuma tecnologia tradicional é capaz de sustentar sozinha o futuro digital. No entanto, bilhões continuam sendo direcionados para os mesmos modelos, impulsionados por subsídios e dependência de fornecedores.
O futuro é híbrido
A solução está na integração, não na expansão de um único tipo de infraestrutura. A tecnologia mesh sem fio de última geração oferece o que falta:
- Multiprotocolo
- Adequada para aplicações fixas e móveis
- Definida por software e de código aberto
- Cobertura total, inclusive na última milha/último metro
- Custos operacionais mais baixos
- Menor dependência de fornecedores estrangeiros
A Europa está na vanguarda tecnológica, mas carece de uma mentalidade voltada para o investimento. Startups europeias inovadoras são frequentemente ignoradas por não fazerem parte do establishment. A cooperação estagna, enquanto o olhar continua voltado principalmente para a China e os EUA. Será que a Europa tem pouca confiança em suas próprias capacidades?
Autonomia digital e soberania de dados
A Holanda e a Europa alertam para a crescente dependência de tecnologia não europeia. Os governos estão perdendo o controle sobre dados e processos. Autonomia digital significa: decidir, gerenciar e inovar por conta própria. Isso exige uma infraestrutura que:
- Seja gerenciada localmente
- Seja construída na Europa
- Utilize padrões abertos
- Seja interoperável e preparada para o futuro
Os municípios têm a chave
Muitos municípios investem em soluções subótimas: projetos caros de fibra óptica sem complemento sem fio, dependência de operadoras de telefonia móvel (MNO) e licitações que excluem a inovação. Mas os próprios municípios podem se tornar proprietários da infraestrutura digital — assim como acontece com estradas, energia e água. A infraestrutura municipal de última geração possibilita:
- Processamento local de dados (edge)
- Soberania de dados
- Custos mais baixos
- Melhor cobertura
- Suporte a novas aplicações (IA, IoT, saúde, mobilidade, Indústria 4.0)
Falta liderança e visão
Acredito em uma liderança que:
- Questione o status quo
- Priorize o impacto em detrimento da política
- Escolha tecnologia adequada à finalidade
- Estimule a inovação
- Coloca as comunidades locais no centro
A Europa possui tecnologia, conhecimento e valores. O que falta é a mentalidade para investir em soluções próprias. O futuro pertence àqueles que ousam.
No próximo artigo: Soberania de dados — a nova base econômica da Europa.
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